Formas estruturais da violência e como enfrentá-las são abordadas em Grande Expediente de Marina
A vereadora apresentou dados e pesquisas sobre a violência contra às mulheres, pessoas LGBTQIA+ e crianças e adolescentes, destacando ações que podem contribuir para a identificação e o seu combate. Ainda, parlamentar fez uma homenagem a um empreendimento de cultura e lazer em Passo Fundo
“O silêncio não protege as vítimas da violência, seja ela qual for. Por isso, precisamos dar as condições para que as pessoas identifiquem essas violências e saibam como denunciá-la e combatê-la”, disse a vereadora Marina Bernardes (PT) durante o seu Grande Expediente, na tarde desta segunda-feira (19), na Câmara de Vereadores de Passo Fundo. O espaço da Tribuna foi ocupado pela parlamentar para apresentar dados e indicadores relativos a diferentes práticas e condutas de violência, observando como é possível construir processos para enfrentá-las.
Para Marina, a intersecção entre as desigualdades econômicas e sociais produz uma série de violações e crimes cometidos contra toda a sociedade. Mas, em sua perspectiva, há grupos sociais mais vulneráveis e expostos a esse problema. “É o caso, por exemplo, da violência contra à mulher. Os dados apontam que o Brasil tem registrado, em média, 10 assassinatos de mulheres por dia. São feminicídios cuja causa está na opressão e na vulnerabilização de gênero, um tema bastante complexo e delicado, mas que precisa ser abordado”, argumentou ela, citando as 10 mulheres assassinadas no Rio Grande do Sul durante o feriado de Páscoa, em abril.

Em sua fala, a legisladora também trouxe números sobre casos de agressão e abuso praticados contra crianças e adolescentes e também em relação aos idosos e populações LGBTQIA+. “Quando ouvimos os órgãos de segurança pública a respeito do tema, ficamos surpreendidos com o grande volume de registros envolvendo estas pessoas. São casos que vão desde a violência psicológica e material até exploração sexual de vulnerável. É uma questão bastante presente no cotidiano de muitas famílias e que precisam ser discutidas, porque é assim que conseguimos estabelecer políticas públicas de prevenção”, destacou Marina, reiterando como a prevenção precisa estar na ordem do dia da Câmara de Vereadores. “A Polícia Civil, a Brigada Militar e o Poder Judiciário têm fomentado debates preventivos e nós devemos nos somar a isso, criando uma rede preventiva e informativa para proteger as pessoas”.
Durante o Grande o Expediente, Marina trouxe elementos ligados ao combate à desinformação e a criação de um projeto de lei, construído em parceria com a Polícia Civil, para conscientizar as pessoas, em especial os idosos, acerca do estelionato. “Esta tem sido uma das grandes demandas atendidas, diariamente, pela Polícia Civil. Sem regulação das redes sociais, os ataques digitais têm sido uma constante. Pesquisas mostram que um brasileiro cai em um golpe digital a cada 16 segundos. E quando olhamos a população idosa percebemos que eles estão muito vulneráveis a esse tipo de estelionato. Nosso projeto de lei prevê ações educativas em parceria com os órgãos de segurança para informar e contribuir com o enfrentamento destas práticas”, antecipou a vereadora.
Outra ação comentada por Marina é a sanção da lei que institui um mapeamento permanente de pontos de hostilidade e insegurança urbana em Passo Fundo. Resultado de um projeto colaborativo, a legislação se originou com o Mapa de Hostilidade Urbana, apresentado por seu mandato em janeiro. “Nós ouvimos mais de 300 pessoas durante 30 dias e mapeamos cerca de 220 pontos hostis. Criamos um projeto de lei, a Câmara aprovou por unanimidade e o prefeito sancionou. Agora, estamos aguardando a sua regulamentação e aplicação para que isso se torne, efetivamente, uma possibilidade de participação social na segurança pública da cidade”, enfatizou ela, que aproveitou o espaço da Tribuna também para fazer um breve resumo de suas ações ao longo destes cinco meses de trabalho no Legislativo.
Por fim, Marina entregou uma homenagem de Honra ao Mérito ao Madah Bar, um empreendimento de cultura e lazer no município. Fundado em 2022 por Daniela de Oliveira Araújo e Mariei Bussolotto, o local tem estimulado a realização de feiras de artesanato, debates e exposições audiovisuais, além de festas e celebrações que conectam as pessoas em suas diversidades. Surgido a partir de uma necessidade identificada pelo casal de empreendedoras LGBTQIAPN+, o Madah completa três anos em maio de 2025, motivo pelo qual se justifica este reconhecimento. “Mais do que um empreendimento comercial instalado em Passo Fundo, o local vem se fortalecendo e sendo reconhecido com uma proposta efetiva de participação e inserção social de grupos historicamente minorizados”, finalizou a vereadora.

FOTOS: DIOGO ZANATTA
