A cidade é nossa

Vereadora Marina Bernardes

A cidade é nossa

Vereadora Marina Bernardes

Agora é a hora: um manifesto político

Quando os feminismos proclamam que são o contrário da solidão, nós nos sentimos parte de algo maior. Não apenas porque vencemos o medo de nos reunirmos, mas, sobretudo, porque mesmo diante do medo decidimos, coletivamente, ter a coragem de nos levantarmos.

“O que a vida exige da gente é coragem”, escreveu Guimarães Rosa.

E é disso que nós somos feitas. De coragem para entendermos que há momentos em que a gente precisa decidir de que lado quer estar.

Mas a coragem nunca foi uma experiência solitária.

Ela nasce quando encontramos pessoas que compartilham os mesmos sonhos, as mesmas indignações e a mesma esperança de que o mundo pode ser diferente. Porque, em algum momento, todas nós aprendemos que existem coisas que não mudam sozinhas.

Não mudam sozinhas as desigualdades que atravessam as nossas cidades. Não muda sozinho o abandono de quem vive longe dos grandes centros. Não muda sozinha a realidade de quem espera por atendimento em saúde. Não muda sozinho um modelo de desenvolvimento que concentra riquezas, destrói a natureza e coloca vidas em risco. E não muda sozinha uma sociedade que permite que o medo, o ódio e a intolerância ocupem o espaço da esperança.

Nós somos a geração que viu a extrema direita transformar a violência em projeto político. Que viu a mentira ser utilizada para atacar a democracia. Que viu direitos serem tratados como privilégios. Que viu a emergência climática deixar de ser uma previsão para se tornar parte da vida cotidiana de milhares de famílias. Que viu cidades inteiras serem inundadas, comunidades destruídas e pessoas perderem tudo aquilo que construíram ao longo de uma vida.

Mas nós também somos a geração que aprendeu que a solidariedade é mais forte do que o abandono. Que quando tentam nos dividir, nós encontramos novas formas de construir comunidade. E que, mesmo diante dos retrocessos, seguimos acreditando que a política pode ser uma ferramenta de transformação.

Há momentos em que permanecer onde estamos já não é suficiente. Há momentos em que a realidade nos chama para responsabilidades maiores. Não porque temos todas as respostas. Mas porque sabemos que a omissão nunca foi uma alternativa. Porque sabemos que há interesses poderosos demais acostumados a não serem questionados. Porque sabemos que o futuro não será construído por aqueles e aquelas que se conformam.

Será construído por aqueles e aquelas que têm coragem de agir. Por aqueles e aquelas que acreditam que nenhuma criança deveria crescer sem oportunidades. Que nenhuma mulher deveria viver com medo. Que nenhum jovem deveria abandonar seus sonhos por falta de perspectivas. Que nenhuma cidade deveria ser condenada ao abandono. Que nenhuma pessoa deveria ser considerada descartável.

Porque durante muito tempo tentaram nos ensinar que a política deveria ser movida pelo medo. Medo do diferente. Medo da mudança. Medo de sonhar. Medo de acreditar que as coisas podem ser melhores.

Mas nós aprendemos outra lição. Aprendemos que a esperança também é uma escolha política. E que construir um futuro mais justo exige coragem. Coragem para defender a democracia. Coragem para proteger a vida. Coragem para acreditar.

Talvez seja por isso que uma das mais bonitas palavras de ordem da nossa história siga fazendo sentido. Porque, apesar de tudo o que enfrentamos, apesar de todos aqueles que apostam na desesperança, nós seguimos escolhendo caminhar sem medo de ser feliz.

É por isso que estamos aqui. Porque acreditamos que ainda vale a pena construir. Vale a pena organizar. Vale a pena sonhar. Vale a pena enfrentar.

Nada disso será obra de uma única pessoa. Nenhuma mudança profunda acontece sozinha. Ela acontece quando pessoas comuns decidem assumir responsabilidades extraordinárias. Quando escolhem caminhar juntas.

Há momentos em que a realidade exige que a gente dê um passo adiante. Não porque seja fácil. Não porque não exista medo. Mas porque existem responsabilidades que não podem ser adiadas. Porque existem futuros que precisam ser disputados.

Por isso, este é um chamado para uma construção coletiva. Um convite para todas as pessoas que se recusam a aceitar que as coisas sejam como são. Um convite para quem sabe que coragem não é a ausência de medo. Coragem é seguir em frente apesar dele. Coragem é escolher construir quando tudo parece apontar para a destruição. Coragem é continuar acreditando quando querem nos convencer a desistir.

E talvez seja justamente isso que nos trouxe até aqui. A decisão de não desistir. De não recuar. De não aceitar que o futuro seja definido por aqueles que lucram com a desigualdade, com o abandono e com a desesperança.

Porque o futuro não é um lugar para onde estamos indo. O futuro é algo que decidimos construir. Juntas e juntos. Com coragem. Sem medo de ser feliz.

Agora é a hora.

 

Quer ver as fotos da festa de aniversário em que apresentamos o nosso manifesto? Clica aqui:

https://drive.google.com/drive/folders/1sywFiz7sjfnxbN11Rbofu3Hx4jKVdQGW

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