Marina apresenta projeto para transformar problemas das cidades em agenda para o Rio Grande do Sul
Documento reúne propostas para saúde, educação, clima, mobilidade, moradia, segurança das mulheres e fortalecimento dos serviços públicos
Enquanto o debate eleitoral se intensifica no Rio Grande do Sul, a candidatura de Marina Bernardes (PT) à Assembleia Legislativa apresenta uma diferença de método: o projeto para o Estado está sendo apresentado antes da eleição. A candidata disponibilizou em seu site e nas redes sociais sua Carta de Princípios para o Rio Grande do Sul, documento que reúne os principais compromissos e propostas que pretende defender no Parlamento gaúcho.
Mais do que uma lista de atuações, a carta apresenta uma concepção de trabalho estadual e parte de um diagnóstico sobre os desafios enfrentados pelo Rio Grande do Sul: crise climática, desigualdades territoriais, dificuldades nos serviços públicos, precarização de carreiras essenciais e insegurança para as mulheres.
A proposta é transformar essa leitura em uma agenda de fiscalização, legislação, orçamento e articulação entre municípios e Estado. “Não quero pedir um voto para depois começar a pensar o que fazer com ele. A eleição precisa ser também um momento de debate sobre projeto. Por isso estamos apresentando desde já quais são as nossas prioridades, quais problemas queremos enfrentar e como pretendemos atuar na Assembleia”, afirma Marina.
A candidata defende que a experiência construída em Passo Fundo seja ampliada para uma atuação estadual. Para Marina, os problemas vividos nos municípios não terminam nos limites territoriais e muitas das decisões que afetam o cotidiano das pessoas são tomadas pelo Estado. A proposta, sintetizada no conceito Cidade por Cidade, é conectar as diferentes realidades do Rio Grande do Sul e transformar demandas concretas dos territórios em agenda estadual.
Três eixos para transformar o Estado
A carta, explica Marina, está organizada em três grandes eixos de trabalho. O primeiro é Direito à Cidade, aos Territórios e aos Serviços Públicos. A proposta coloca o fortalecimento do SUS, o enfrentamento das filas, a educação pública, a valorização dos servidores, a moradia, a assistência social, a cultura e as juventudes no centro da atuação parlamentar. “A ideia de direito à cidade é ampliada para uma perspectiva regional: municípios menores e comunidades periféricas precisam ter acesso efetivo à saúde, educação, transporte e demais serviços públicos”, argumenta a candidata.
O segundo eixo é Cidades Sustentáveis, Justiça Climática e Mobilidade. Depois das enchentes de 2024, Marina defende que a reconstrução do Estado não pode significar apenas recuperar o que foi perdido, mas mudar a forma como o território é planejado. Entre as propostas estão políticas permanentes de prevenção e adaptação climática, proteção de bacias hidrográficas, soluções baseadas na natureza, drenagem sustentável, moradia segura, saneamento, transporte público e tarifa zero como horizonte político.
O terceiro eixo é Estado das Mulheres, Segurança e Rede de Cuidado. A proposta coloca a segurança das mulheres como prioridade estadual e articula políticas de enfrentamento à violência com moradia, autonomia econômica, saúde, educação e assistência. Também estão entre as prioridades a ampliação da rede de proteção, políticas para infância, idosos e pessoas com deficiência e a garantia de direitos da população LGBTQIA+.

Para Marina, os três eixos não representam pautas isoladas, mas uma visão de Estado. “A gente precisa parar de tratar os problemas separadamente. Uma fila na saúde também é um problema de transporte e de desigualdade regional. Uma enchente é também uma questão de moradia, planejamento urbano e orçamento. A violência contra uma mulher também envolve segurança, renda, habitação e uma rede pública capaz de protegê-la”, explica.
Um compromisso que começa antes do mandato
A candidatura também apresenta como pretende exercer o mandato caso seja eleita. Entre os compromissos estão fiscalização de orçamento, contratos, obras, filas e políticas públicas; proposição de legislação estadual; disputa por recursos e prioridades orçamentárias; realização de plenárias e escutas territoriais; incidência pública e articulação entre municípios, Estado, União, universidades e movimentos sociais. “Apresentar um plano antes da eleição é também uma forma de estabelecer um compromisso público. As pessoas precisam poder olhar para uma candidatura e saber o que ela defende, os interesses que pretende enfrentar e quais prioridades vai levar para a Assembleia”, afirma Marina.
A Carta de Princípios sintetiza essa posição ao definir a proposta como “combativa, popular e programática”: combativa diante de decisões que retiram direitos, popular por partir da realidade dos territórios e programática por se propor a disputar o Estado, o orçamento e as prioridades públicas. “O Rio Grande do Sul que queremos não pode ser pensado depois da eleição. Ele precisa ser discutido agora, cidade por cidade, território por território. É assim que queremos construir essa candidatura e é assim que queremos exercer o mandato”, conclui Marina.
